PEDRA CONTIDA – música feita nas aldeias do xisto

1 de Março de 2014

No dia 25 de Março, a JACC Records edita o resultado de uma residência artística realizada na aldeia de Cerdeira (na Lousã), que juntou Marcelo dos Reis (guitarra clássica), João Pais Filipe (bateria e percussão), Nuno Torres (saxofone alto), Miguel Carvalhais (electrónica) e Angélica V. Salvi (harpa)

As práticas musicais contemporâneas do século XX caracterizaram-se por reestruturar as formas comuns  da música identificada até então como clássica. A evolução das arquitecturas da música erudita, e das formas do jazz, através das novas roupagens que lhe  foram  sendo  atribuídas, confluíram  numa  nova riqueza  tímbrica  ao  nível  dos  "materiais"  musicais utilizados, ora via texturas, ora via negação do virtuosismo académico, que Cage tão bem representou através da interpretação do silêncio.

Se alguma tradição advém dessas novas abordagens musicais do século XX, pode-se dizer então, que a  junção  destes  cinco  músicos  não  acontece  por acaso.  Se  por  um  lado  Nuno  Torres  tem  um  gosto particular  pela  exploração  tímbrica  do  seu  saxofone  alto,  através  de  uma  abordagem  “melodica não tradicional”,  Angélica  V.  Salvi  desenvolve  um  relevante  trabalho  dentro  da  música  contemporânea, seja  através  da  interpretação  de  repertório “clássico”  ou  através  de  improvisações  estruturadas com  ferramentas  da  música  electrónica.  Miguel  Carvalhais  é  uma  referência  da  música electrónica experimental  nacional,  através  do  seu  trabalho  editorial  na  Crónica  Electrónica,  por  entre  inúmeros projectos,  destacam-se  os  “@c”  em parcería  com  Pedro  Tudela,  grupo  que  tem  mais  de  20  edições discográficas. Na bateria e percussão está João Pais Filipe, baterista portuense “hiperactivo”, que coloca a sua energia nas mais diversas parcerías, com uma abordagem rítmica entre um Tony Oxley e um Jaki Liebezeit. A fechar o pentágono desta formação, está Marcelo dos Reis, guitarrista e improvisador que se tem vindo a afirmar no panorama das musicas mais avançadas, através de uma abordagem criativa sobre o instrumento mais popular do planeta, e que, por entre diferentes projectos e colaborações, tem desenvolvido também  um  papel relevante  na produção e organização  de  concertos.

 

“O quinteto revelou-se um caso sério que deve ser acompanhado de perto.”

In jazz.pt